A metalinguagem das cortinas

Através da encenação da impossibilidade, do estranhamento e do assombro, o espetáculo Circo Negro estaciona no Cariri e promete abrir o público para experiência da inquietação

 

Foto: Maringas Maciel

Foto: Maringas Maciel

A língua que fala de si mesma. O teatro que fala do fato teatral. É nesse sentido que o espetáculo Circo Negro de Daniel Veronese traça um caminho entre o lúdico e o cruel. Pela primeira vez em Juazeiro do Norte, a CiaSenhas de Teatro se apresenta entre o período de 15 a 18 de junho, às 19h30 no Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri, com entrada franca.

Esse projeto foi selecionado pelo Programa Petrobras Distribuidora de Cultura 2015/2016. Já CiaSenhas é um coletivo curitibano de arte que atua desde 1999 na formação e pesquisa cênicas. O processo de enlace entre o ator-criador e o desenvolvimento de uma dramaturgia original vinculada a criação compartilhada são os dois grandes enfoques do grupo. Os atores procuram traduzir seus espetáculos no fortalecimento estético e político da performance.

O conjunto da dramaturgia do autor e diretor argentino Daniel Veronese, um dos ícones mais aplaudidos da cena contemporânea portenha, com umas das companhias direcionadas por Sueli Araujo, autora, diretora e atriz e professora da Faculdade de Artes do Paraná em Circo Negro foi um encontro belo de inquietações.

Movimentos repentinos, realidade ou ficção, um jogo permanente com a plateia. Circo Negro é uma metalinguagem das cortinas, um teatro apresentando o teatro. A narrativa do trabalho  é  conduzida  por  criaturas/personagens  que se  alternam  entre seres reais  e  imateriais  criando  atmosferas  cênicas  em que  a realidade se revela  estranha, porém reconhecível  em sua  crueldade.  

Durante a encenação há a realização de números circenses, propostos no texto de Veronese, que servem como metáfora do jogo de  relações  de  poder  e  competitividade  instaurados  sobre  tênues  movimentos  entre verdade e mentira, narrativa e drama, personagem e narrador, seres autônomos e autômatos. O jogo,  ao  mesmo tempo lúdico e cruel, propõe a discussão poética e política do que é real e do que é representação.

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Trabalhando a formação com o intuito de proporcionar uma aproximação mais efetiva com  a  arte  teatral, o projeto prevê a promoção de duas ações. Uma Oficina de formação de Plateia destinada aos alunos do EJA e um Encontro  (Ação  de  ComVivência) com  grupos  de  teatro  e  artistas  locais. A primeira fará uma atividade prática após um bate-papo sobre a apresentação do espetáculo. A segunda parte da meta de fazer um escambo de experiências com os atores da região para compartilhar procedimentos criativos e construir novos espaços de comunicação entre artistas de teatro no Brasil. O espetáculo disponibilizará roteiro em braile durante todos os dias do espetáculo.

A ação tem apoio do Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri – CCBNB e Produção Local da Monte de Coisas – Turismo e Produção Cultural.

Patrocínio: Petrobras

Realização: Ministério da Cultura

Serviço:

Circo Negro – CiaSenhas de Teatro

De 15 a 18 de junho de 2016

CCBNB Cariri

Entrada Franca

Censura 18 anos

 

(88)3512.2855/ (88)988149118

 

O espetáculo tem acessibilidade para pessoas com necessidades especiais

(deficientes auditivos e visuais)

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