Roupas de brechó: tendência que cresce no Cariri e reinventa o consumo sustentável

Brechós e bazares transformam a forma de consumir moda na região, unindo estilo, diversidade e consciência ambiental

Colunas, Evellen Rodrigues

No Cariri, os brechós e bazares têm mudado a maneira como a população consome moda. Cada vez mais pessoas buscam roupas de segunda mão, percebendo nelas não apenas oportunidades de economizar, mas também de reinventar seu estilo de forma criativa e consciente, contrariando a crescente e avassaladora tendência do Fast Fashion na indústria da moda.

De acordo com Francisca Dantas Mendes, professora do curso de Têxtil e Moda na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP e coordenadora do Núcleo de Apoio à Pesquisa Sustentabilidade na Cadeia Têxtil (NAP SUSTEXMODA), o Fast Fashion é um modelo de consumo em que os produtos são produzidos, consumidos e descartados em um curto período de tempo, tanto pela má qualidade das roupas quanto pelas constantes mudanças de tendências de moda.

Driblando essa tendência, os brechós têm crescido em todo o Brasil, inclusive no Cariri, e se reinventam constantemente para oferecer variedade aos consumidores. Alguns bazares se dedicam aos preços baixos como principal atrativo; outros focam em peças vintages, garimpadas de outros brechós ou lojas, com valores que variam de acordo com a peça. Existem ainda aqueles que vendem roupas atemporais por preços variados; e há brechós que comercializam roupas usadas, seminovas e novas. Essa diversidade garante que todos encontrem algo que se encaixe no estilo, na necessidade e no bolso.

Além disso, os brechós do Cariri estão cada vez mais presentes nas redes sociais. Uma rápida busca no Instagram revela mais de 10 brechós nas cidades do Crajubar — Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha — conectando vendedores e consumidores de forma prática e ampliando o alcance desses espaços de moda.

Em entrevista inédita ao Foobá, Karina Xavier, dona do @dakahbrecho há 10 anos, destaca que pretende ir na contramão do Fast Fashion. Ela explica que, embora já tenha atuado como lojista, não se vê mais nesse modelo: “O consumo consciente e a sustentabilidade me inspiraram. Percebi que não conseguia acompanhar a moda atual, com todas as tendências e modas fashionistas. Então escolhi valorizar o meu próprio estilo, buscando sempre pela qualidade da peça. Sendo assim, vi no brechó uma oportunidade de consumo e de negócio.”

Os dados mais recentes da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do escritório para o Meio Ambiente da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que a indústria da moda é responsável por cerca de 10% das emissões de carbono do planeta e por 20% do desperdício de água mundial. Nesse cenário, iniciativas como os brechós ganham ainda mais relevância, pois não apenas reduzem o impacto ambiental, como também fortalecem comunidades e promovem formas de consumo mais conscientes e responsáveis.

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