Música

LUIZ GONZAGA É

LUIZ GONZAGA É
Luiz Gonzaga é saudade
Plantada no coração,
É a nordestinidade
Pulsante em cada baião,
Cada xote, cada forró
Luiz Gonzaga é um só
Mais vale por um milhão.

Luiz Gonzaga é sertão
Numa noite enluarada,
É xaxado e é baião
Num terreiro de latada,
É um forró “desbuiado”
Pelos dedos “molengados”
Conduzindo a sanfonada.

Luiz Gonzaga é estrada
Dos cantores nordestinos,
É uma fonte iluminada
Por Lampiões Virgulinos
É o barro cru e moldado
É o retrato falado
Bem dizer de Vitalinos.

Luiz Gonzaga é um sino
Anunciando o inverno,
Tem a destreza e o tino
De um sertanejo moderno
Com sua visão futurista
Que soube ser um artista
Que pra sempre será eterno.

Luiz Gonzaga é o terno
Que veste nosso vaqueiro,
Com seu cantar bem fraterno
Magnífico sanfoneiro,
Fiel às suas raízes
Pacificador de crises
Um exemplar brasileiro.

Luiz Gonzaga é o cheiro
Dessa musicalidade,
Do nordeste o primeiro
A abrir portas de verdade
Pelo Brasil espalhando
Seu forró e encantando
A toda sociedade.

Luiz Gonzaga é autoridade
Quando o assunto é sertão,
É como um canção que invade
O alpendre do casarão,
Canta alto, se balança
Se mostra firme e dança
Seja qual for a canção!

Luiz Gonzaga é cacimbão
Onde bebe muita gente,
É a fonte de inspiração
Do sanfoneiro descente
Que com fé no “Padim Ciço”
Mantém firme o compromisso
De tocar a arte em frente.

Luiz Gonzaga é o batente
No oitão da moradia,
Onde a mulher sorridente
Faz do batente sua pia
“Ariando” uma panela
De forma simples, singela
Cantando a Ave Maria.

Luiz Gonzaga é um dia
De adjunto no roçado,
Onde com a maior alegria
A DEUS se pede obrigado
Pela colheita feliz
Enquanto canta a cordoniz
Que dá também seu recado.

Luiz Gonzaga é o brado
Do sertanejo da gema,
É como foice ou machado
Cortando uma jurema,
Despenca de “riba” a baixo
Feito enchente no riacho
Modificando o sistema.

Luiz Gonzaga é poema
Simples, porém composto,
É infinidade de tema
Pra quem escreve com gosto
É o amanhecer de um dia
Irradiando a poesia
Dum fim de tarde em agosto.

Luiz Gonzaga é o sol posto
À tardinha lá na serra,
É a brisa leve no rosto
É o bafo quente da terra,
É a arte em ebulição
É o retratar do sertão
Que nunca mais se encerra.

Luiz Gonzaga é a guerra
Que faz mostrar o nordeste,
Destemido e não emperra,
Que luta, vence e investe
Com a sanfona e sua voz
Guerreou muito por nós
“Caboco”, Cabra da peste.

Luiz Gonzaga é inconteste
De reinado absoluto,
Mesmo na côrte celeste
Continua dando fruto,
Eterna é sua majestade
E será pela eternidade
Um nordestino impoluto.

Luiz Gonzaga é astuto
Criador do nosso baião,
E com seu jeito matuto
Conquistou essa nação
Ano do seu centenário
Verdadeiro relicário
Embaixador do sertão.

Luiz Gonzaga é ação
Da arte do sertanejo,
Que canta com o coração
Que tem no jeito um traquejo,
Que se agarrou ao sucesso
Fez-se o maior do universo
Realizou seu desejo.

Luiz Gonzaga é ensejo
Que nasceu pra ser história,
É do nordeste um festejo
É a alegria compulsória
Que faz chover no sertão
Xote, xaxado e baião
E um gosto bom de vitória.

Luiz Gonzaga é divisória
Na cultura nordestina,
A sua obra é sua glória
A sua arte é sua sina,
Parceiros, compositores
Amigos e seguidores
E o som da sua concertina.

Luiz Gonzaga é neblina
Num fim de tarde bem quente,
É a cantiga matutina
Dum cantador de repente,
É triângulo tilintando
É zabumba zabumbando
E uma sanfona plangente.

Luiz Gonzaga é nascente
Jorrando a sua magia,
É o casamento contente
Da sanfona e a poesia
É o vaqueiro aboiando
E o gado todo juntando
No final de mais um dia.

Luiz Gonzaga é a energia
Própria do nosso “caboco”,
Fez da sanfona sua guia
Pra lhe tirar do sufoco,
Exemplo de perseverança
Fez do adulto a criança
Dançar “sala de reboco”.

Luiz Gonzaga é um pouco
De tudo que o sertão tem,
De coisa bela, de louco
Dum “toicizim” com xerém,
Dum “caboco” “inzambuado”
Com a morena atracado
Só dançando o xenheném.

Luiz Gonzaga é um bem
Que faz um bem de verdade,
Pra quem herdou e mantém
Toda a sua humildade,
É de DEUS um abençoado
Rei eterno e aclamado
Por toda posteridade.

Luiz Gonzaga é vontade
De melhorar o sertão,
É a voz da liberdade,
Da arte e indignação.
Da mais pura inteligência
Pela sua irreverência
Com a sanfona e o gibão.

Luiz Gonzaga é inspiração
Que fala alto em meu peito,
Por ser fã de Lampião
Vestia-se do mesmo jeito,
Homem de boa cachola
Foi professor sem escola
Foi um honrado sujeito.

Luiz Gonzaga é respeito
Respeitado e respeitoso,
Mesmo sem cursar Direito
Advogou corajoso,
Em favor dos oprimidos
Dos menos favorecidos
Por isso que é grandioso.

Luiz Gonzaga é valoroso
Filho de seu Januário,
Exuense primoroso
De ambiente agrário,
Da Fazenda Caiçara
Na qual foi sua seara
E seu maior itinerário,

Luiz Gonzaga é cenário
De noite de São João,
Onde o rico imaginário
Do povo bom do sertão
Faz o maior arraiá
Que é pra poder festejar
Cem anos de Gonzagão.

Luiz Gonzaga é lição
Que o nosso povo carece
De força e superação
De arte, de Amor e prece,
Cem anos desse “caboco”
Que cantou de tudo um pouco
E o mundo todo o conhece.

Luiz Gonzaga oferece
Mesmo depois de partir,
A música que enriquece
Quem se propõe a ouvir
Tal e qual uma rendeira
Faz da arte a verdadeira
Identidade do “sentir”.

Assim tentei definir
Com inspiração e fé,
Não foi fácil resumir
Acho pretensão até,
Fazer versos a granel
Tentar botar num cordel
O que Luiz Gonzaga é.

ADAUBERTO AMORIM

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