Coluna do Alexandre Lucas Colunas

As paredes que falam

Comecei escrevendo foi nas paredes: primeiro da casa, da casa que nunca tive, mas que chamava de minha, depois nas paredes da rua, da rua que também nunca foi minha. Quando escrevia nas paredes da casa, sem ainda conhecer o alfabeto e sem saber o que estava escrevendo; escrevia com mais vontade de dizer do que escrever, não sabia dizer e ninguém entendia o que escrevia, mas escrever nas paredes da casa é sempre perigoso: a gente ganha mais gritos e surras do que elogios, mas escreve.